25/04/2026
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175 mil eleitores com deficiência votam sem acessibilidade

175 mil eleitores com deficiência votam sem acessibilidade

Mais de 175 mil eleitores com deficiência de locomoção estavam registrados em locais de votação sem acessibilidade nas eleições de 2024. O número corresponde a 37% dos 471 mil brasileiros com esse tipo de deficiência, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Justiça Eleitoral permite que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida transfiram o título para uma das 185 mil seções acessíveis do país. O prazo para solicitar a mudança neste ano vai até 6 de maio.

Em nota, o TSE afirmou estar empenhado no “aprimoramento contínuo das condições de acessibilidade”. O tribunal disse que mantém ações previstas no Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral, criado em 2012, e campanhas de conscientização.

O levantamento, feito pelo Estadão, cruzou o cadastro de votantes com deficiência com o registro das zonas e seções eleitorais de todo o país. Os dados são de 2024 e não incluem o Distrito Federal, que não tem eleição municipal.

O cruzamento mostrou que 37,1% dos eleitores com deficiência de locomoção estavam em seções sem acessibilidade. Em dois estados o índice passou de 90%: Mato Grosso e Alagoas. Roraima aparece em terceiro, com 89,1%.

O pior índice foi em Mato Grosso: 94,6% das pessoas com deficiência de locomoção votaram em seções não acessíveis. Das mais de 8 mil seções eleitorais do estado, apenas 405 tinham recursos de acessibilidade. Dos 5.209 mato-grossenses com deficiência ou mobilidade reduzida, somente 279 estavam em locais adequados.

Procurado, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) disse “não reconhecer os critérios utilizados” pelo levantamento, mas não apresentou dados para contestar a informação.

Para Roberto Tiné, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), a Justiça Eleitoral fez esforços relevantes. De 2012 a 2022, o número de seções acessíveis subiu de 23 mil para 156 mil. “Agora precisamos tornar todas as seções acessíveis”, afirmou.

Tiné lembrou que a acessibilidade não é só para pessoas com deficiência, mas também para gestantes, obesos, idosos e mães com carrinhos de bebê. “Seção acessível deveria ser pleonasmo”, disse.

As urnas eletrônicas têm recursos para deficiências auditiva e visual. Em 2024, o eleitorado com deficiência registrado foi de 1,4 milhão. O número pode ser maior, pois o cadastro é autodeclaratório.

Para transferir o título para uma seção acessível, o eleitor deve acessar a página de Autoatendimento Eleitoral no site do TSE. Lá, seleciona a opção “Título Eleitoral” e depois “Atualize ou corrija seu título eleitoral”. Em seguida, clica em “Troque seu local de votação dentro do mesmo município”.

É preciso preencher o formulário e entrar com uma foto segurando um documento de identificação, além de enviar cópia digital do documento. O eleitor pode escolher o local de votação, desde que dentro do mesmo município. Ao marcar a opção de seção com acessibilidade, o sistema mostra apenas os locais acessíveis. Depois de confirmar, um protocolo é gerado e pode ser acompanhado pelo site.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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