O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu libertar Carlos Vorcaro, proprietário do Banco Master. Essa decisão foi impulsionada por um documento do Banco Central que comprovou uma reunião entre Vorcaro e representantes da instituição financeira, ocorrida horas antes de sua prisão.
Os advogados de Vorcaro apresentaram um ofício assinado pelo chefe adjunto do departamento de supervisão bancária do Banco Central. O documento atesta que Vorcaro havia avisado a instituição sobre sua viagem a Dubai, nos Emirados Árabes, para se encontrar com investidores estrangeiros. A reunião com o Banco Central aconteceu no dia 17, e Vorcaro foi preso no mesmo dia à noite, no aeroporto de Guarulhos, enquanto tentava embarcar para Malta em um jato particular.
A defesa de Vorcaro utilizou essa reunião para argumentar que ele não tinha intenção de fugir. Eles sustentaram que a viagem já era conhecida pelo Banco Central, em contraste com as alegações de que ele tentava escapar da justiça.
O Banco Central, no entanto, esclareceu que os diretores envolvidos não receberam nenhum tipo de comunicação escrita sobre a viagem de Vorcaro. A informação foi transmitida de forma verbal durante a videoconferência, que não foi gravada. A participação de Vorcaro na reunião ocorreu entre 13h30 e 14h10, enquanto sua prisão se deu por volta das 22h.
Na decisão que liberta Vorcaro e outros executivos, a desembargadora mencionou o ofício do Banco Central, que confirmou a notificação da viagem. As novas medidas estabelecidas incluem o uso de tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte e proibição de contato com pessoas ligadas à investigação.
A desembargadora ressaltou que havia evidências de que Vorcaro tinha comunicado a viagem ao Banco Central de forma oficial e que o risco de fuga poderia ser controlado por meio de medidas menos severas.
Durante a investigação que resultou na prisão de Vorcaro e outros executivos na Operação Compliance Zero, técnicos do Banco Central relataram pressão política sem precedentes para salvar o Banco Master. Esse esforço incluiu tentativas de aprovar a venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB), que havia sido vetada pelo Banco Central anteriormente.
O Banco Central foi solicitado a dar informações sobre a reunião que ocorreu em videoconferência a pedido da defesa de Vorcaro. Essas informações foram registradas no despacho, pois normalmente não são divulgadas no site do Banco Central.
O ofício detalhou que Vorcaro falou sobre negociações com a Mastercard Brasil para liberar recursos e que estava buscando soluções para a crise de liquidez do conglomerado. Ele caracterizou a viagem a Dubai como parte das tratativas para a venda do Banco Master a investidores estrangeiros, com planos para assinar o contrato e divulgar a operação.
O documento também menciona que as negociações contavam com a divisão da venda do Banco Master em partes para diferentes investidores, e Vorcaro tinha programado uma reunião para registrar a intenção de venda ao Banco Central.