18/01/2026
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Ilha do Caribe proíbe acesso de moradores às praias

A Disputa pelas Praias da Jamaica

A Jamaica é conhecida mundialmente por suas belas praias de areias brancas e águas cristalinas. No entanto, a realidade local é preocupante, pois as praias estão se tornando cada vez mais inacessíveis para os jamaicanos.

Em uma viagem à baía de Mammee em 2014, um visitante se encantou com a paisagem, observando crianças brincando na areia e pescadores atracando seus barcos. No entanto, em 2020, a mesma praia foi vendida a um empreiteiro local, que a transformou em um resort de luxo, bloqueando o acesso dos moradores. Os pescadores da comunidade próxima, chamada Steer Town, perderam assim o acesso ao mar, onde pescavam há gerações. Além disso, o acesso ao rio Roaring, frequentado pela população local, também foi encerrado quando o governo vendeu as terras a uma empresa chinesa.

Com a privatização das praias, apenas 0,6% do litoral da Jamaica é considerado público. A ilha possui 1.022 km de costa, mas a maioria das praias agora pertence a resorts ou propriedades privadas, o que tem gerado insatisfação na população local. O Movimento Ambiental pelo Direito de Nascimento às Praias da Jamaica (JaBEEM) tem lutado pela revogação da Lei de Controle das Praias, que permitiu que essas áreas fossem vendidas.

A privatização das praias aumentou consideravelmente nos últimos anos, especialmente com o crescimento de resorts all-inclusive, que limitam o acesso àqueles que não são hóspedes. Em 2024, a Jamaica recebeu 4,3 milhões de turistas, recorde histórico de visitantes, mas essa popularidade não reverteu em benefícios diretos para os jamaicanos, que agora enfrentam o fechamento de lugares tradicionais.

O impacto econômico também é notável: apenas 40% da receita turística permanece na Jamaica. A construção de novos hotéis tem sido projetada, com expectativa de 10 mil novos quartos até 2030, o que representa mais restrições ao acesso das comunidades locais. A situação se agrava por conta de uma lei que data da época colonial britânica, que transferiu a propriedade das praias para o governo e, consequentemente, para a iniciativa privada.

Recentemente, diversas ações judiciais estão sendo impetradas para assegurar o acesso dos jamaicanos às praias. Entre elas, destaca-se a luta pela preservação da baía de Mammee, onde os moradores precisam agora pagar para entrar. As comunidades locais, como a de Bob Marley, também estão se mobilizando contra a construção de um resort de luxo que lhes impedirá o acesso à sua própria cultura e história.

O advogado Marcus Goffe, do JaBEEM, alerta que essa exclusão do acesso ao mar e às praias mata as comunidades, destruindo suas tradições. Servindo de base para um movimento de resistência, a formação do JaBEEM em 2021 proporcionou uma plataforma para os jamaicanos reivindicarem seus direitos.

Embora a situação seja desafiadora, ainda existem praias abertas ao público, como a de Seven Mile e Winnifred, que são mantidas por proprietários locais e oferecem uma conexão genuína com a cultura da Jamaica. Os visitantes são incentivados a apoiar as empresas locais e aqueles que promovem a preservação dos espaços públicos.

As belezas naturais da Jamaica continuam a atrair turistas, mas a luta por acesso às suas praias é constante e crucial para a preservação da identidade cultural e comunitária da ilha.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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