16/03/2026
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Greve parcial de ônibus em São Luís entra no 3º dia

A greve parcial de ônibus em São Luís chegou ao terceiro dia neste domingo (15). A paralisação foi deflagrada na sexta-feira (13) por rodoviários do sistema urbano. Eles reivindicam o pagamento de salários com aumento, conforme acordo feito no último movimento realizado em fevereiro deste ano.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão (Sttrema), Marcelo Brito, informou na manhã deste domingo que, até o momento, a entidade não havia sido chamada para negociar. Ele afirmou que não há nenhuma reunião marcada para tentar avançar nas tratativas.

A nova paralisação ocorre em meio a uma sequência de problemas enfrentados pelo transporte coletivo da capital. Os rodoviários alegam atraso no pagamento do reajuste salarial. Segundo Marcelo Brito, nenhum trabalhador recebeu o salário com o aumento acordado na última paralisação e determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho.

Em frente a uma das empresas, uma placa informava a contratação de motoristas. Os rodoviários, porém, afirmam que o problema central é o não pagamento do reajuste, o que impede a normalização das atividades.

A Prefeitura de São Luís alega que vem cumprindo regularmente suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público. A administração municipal diz que os repasses de subsídios às empresas estão sendo realizados em dia, sem dedução ou atraso.

Para reduzir os impactos, o Município liberou vouchers em um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários enquanto o serviço estiver comprometido. Os vouchers já foram disponibilizados para usuários cadastrados no sistema anteriormente.

Além disso, a Prefeitura ingressou na quinta-feira (12) com uma ação na Justiça do Trabalho. O pedido é pela declaração de abusividade da greve e pela adoção de medidas que assegurem a circulação mínima do transporte, como determina a legislação para serviços essenciais.

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informa que a greve decorre do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, de decisão judicial recente. A decisão determinou a implementação de reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores.

A SMTT esclarece que vem realizando os repasses em dia e afirma que causa estranheza o fato de as empresas, mesmo recebendo os recursos, não terem garantido o reajuste. A secretaria diz acompanhar a situação de forma permanente para assegurar o restabelecimento do serviço.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) se manifestou para esclarecer declarações do prefeito Eduardo Braide. A entidade afirma que o subsídio pago atualmente pela Prefeitura é o mesmo de janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos e aumento em outros custos.

O SET declarou que não houve acordo na Justiça do Trabalho porque a SMTT não compareceu. O sindicato também citou o aumento do preço do diesel em R$ 1,40 o litro na última semana, com a medida do governo federal resultando numa redução de apenas R$ 0,30.

Segundo o SET, as greves desde 2021 são resultado do descumprimento do contrato por parte do Município, fato que teria sido confessado em vídeo pelo próprio prefeito. O sindicato afirma que tem buscado diálogo e protocolado pedidos de reunião junto à SMTT desde o início de 2025.

MP-MA abre inquérito para investigar falhas no transporte coletivo de São Luís

A paralisação ocorre enquanto o Ministério Público do Maranhão conduz um inquérito civil. A investigação apura falhas na prestação do serviço, paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema.

Os focos da investigação incluem o Município de São Luís, o SET, os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda.

Como providências iniciais, o MPMA solicitou à SMTT e ao SET uma série de documentos. A lista inclui informações sobre todas as linhas, itinerários, consórcios, concessionárias e frotas. Também foram solicitadas planilhas de custos, valores de subsídios pagos entre 2021 e 2026, número de novos ônibus incorporados e medidas para corrigir falhas.

Última paralisação do sistema urbano durou 8 dias

Após oito dias de paralisação, os ônibus voltaram a circular após reunião com o MP-MA, empresários e a Prefeitura. O acordo realizado no dia 6 de janeiro determinou que os salários atrasados seriam pagos integralmente até o dia 10 daquele mês.

Nos últimos seis anos, a capital enfrentou ao menos dez paralisações no sistema. Os impasses foram provocados principalmente por questões salariais e disputas entre empresas e rodoviários. Em 2022, a cidade registrou a maior greve do período, que se estendeu por 43 dias.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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