O diretor e produtor JJ Abrams citou as duas maiores influências em sua carreira. A informação foi divulgada em entrevista, na qual ele detalhou suas principais referências criativas.
Abrams teve uma trajetória que em alguns aspectos lembra a de seu mentor, George Lucas, ao dar um passo para trás após receber fortes críticas. No início de sua carreira, ele trouxe ideias que mudaram a indústria do entretenimento com sua abordagem inovadora na televisão, maximizando o conceito da “caixa de mistério” e popularizando o hábito de assistir a várias séries de uma vez. Com trabalhos como Alias, Lost e Felicity, parecia que tudo o que ele tocava virava ouro.
Sua posição como diretor de cinema também começou bem consolidada. Após assumir a direção de Missão: Impossível 3, Abrams recuperou a reputação da franquia, que havia sido mal recebida com seu segundo filme. Ele seguiu revivendo Star Trek com o bem-sucedido reboot de 2009 e dirigiu a sequência, Star Trek Into Darkness, que se tornou o filme de maior bilheteria da história da franquia. No intervalo, ele mostrou que ainda era capaz de contar histórias originais com a aclamada aventura de ficção científica Super 8.
Foi sua aventura na galáxia muito, muito distante que elevou e, ao mesmo tempo, complicou sua carreira. Star Wars: O Despertar da Força foi considerado uma sequência de legado quase perfeita, garantindo a Abrams muitos sentimentos positivos. Enquanto ele passou os anos seguintes produzindo séries e filmes dentro das franquias Star Trek, Missão: Impossível e Cloverfield, seu retorno para dirigir Star Wars: A Ascensão Skywalker foi tão criticado que ele ficou sete anos sem voltar à cadeira de diretor.
Poucos discordariam que ele é um gênio em introduzir personagens novos e memoráveis, seja Jack (Matthew Fox) em Lost, Sydney (Jennifer Garner) em Alias, ou Rey (Daisy Ridley) em O Despertar da Força. No entanto, esse estilo de narrativa, segundo Abrams, tem base em sua afinidade pelo filósofo grego Aristóteles.
“Aristóteles é a estrutura, o paradigma da narrativa”, disse ele. “As regras mais básicas. Você pode colorir, decorar, complicar e discutir, mas no fim tudo se resume a ‘qual é a sua história? Qual é o começo? Para onde você vai?'”
Dadas as muitas reviravoltas presentes nos filmes e séries de Abrams, não é surpresa que ele se considere um grande fã de The Twilight Zone. Sua afinidade pela antológica clássica de ficção científica vai além do fandom, pois ele tem um profundo respeito pelo estilo de prosa narrativa pioneirizado por seu amado criador, Rod Serling.
“Rod Serling, para mim, é uma inspiração por várias razões, mas, basicamente, ele entendia aquela combinação incrível de pura pulp fiction e personagem profundo”, afirmou Abrams. “O respeito que ele tinha pelo personagem e pelo público era enorme. Ele escrevia sobre coisas que importavam para ele em forma de alegoria e contava histórias sobre alienígenas e monstros, mas quase sempre sobre assuntos que lhe importavam.”
Ouvir Abrams falar com paixão sobre suas influências é um lembrete de quantas grandes coisas ele ajudou a criar. A situação sugere que ele assumiu a culpa pelo fracasso de A Ascensão Skywalker, que não foi inteiramente sua responsabilidade. A expectativa agora é que seu novo filme, The Great Beyond, possa silenciar seus críticos e marcar o retorno de um contador de histórias influente.
A carreira de Abrams na televisão também deixou um legado duradouro para as produções seriadas. O formato de narrativa com mistérios centrais, que ele ajudou a popularizar, continua sendo amplamente utilizado em séries de sucesso. Seu trabalho como produtor em diversas franquias mostra sua habilidade em gerenciar grandes propriedades intelectuais e colaborar com outros criadores, um aspecto essencial da indústria do entretenimento moderno.
