29/07/2026
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Angela Davis: Supremacistas saíram do armário

Em visita ao Brasil para a Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, a escritora e ativista Angela Davis afirmou que a supremacia branca não está em ascensão nos Estados Unidos. Para ela, os grupos extremistas apenas “saíram do armário”. A declaração foi dada em entrevista no Rio de Janeiro.

Davis, que é uma das principais referências do feminismo e do movimento negro, participa de um debate no dia 25 de julho, às 18h, no Sesc Caborê, em Paraty. A plateia tem capacidade para 700 pessoas. Ela está acompanhada da acadêmica Gina Dent, sua companheira de vida e de projetos. Juntas, as duas escrevem um livro sobre jazz e defendem o fim do sistema carcerário.

Questionada sobre o movimento “Defund the Police”, a ativista avaliou que a iniciativa fracassou em grande parte por causa de intervenções conservadoras. Ela disse que as bases foram lançadas e que o nível de resistência ainda é grande, com comunidades se levantando contra o ICE em lugares como Minnesota e Chicago. Segundo Davis, o governo Trump não destruiu o desejo de criar uma democracia real.

Sobre a imigração, ponto forte da política de Trump, ela afirmou que as estatísticas indicam que mal um terço da população apoia o governo. Para ela, o papel dos ativistas é continuar encorajando o desenvolvimento de abordagens políticas nas bases, e não assumir que a eleição de um novo chefe de Estado reflete o que a maioria das pessoas está sentindo.

Ao falar sobre a causa palestina, Davis afirmou que a tentativa de equiparar o antissemitismo com a solidariedade palestina é uma tática usada por conservadores. Ela disse que pesquisas nos EUA indicam que a maioria da população se inclina mais para a solidariedade palestina do que para o Estado de Israel. Para ela, é lamentável que tenha sido necessária a destruição genocida de Gaza para que essa nova sensibilidade política surgisse.

Davis também comentou as decisões da Suprema Corte dos EUA, que restringiu ações afirmativas e revogou proteções ao aborto. Ela lembrou que a maioria da população americana acredita no direito ao aborto, mas que a Corte foi escolhida por Trump. Para a ativista, nenhuma grande virada política veio de um presidente, mas sim de pessoas que marcharam nas ruas e se organizaram.

Perguntada sobre a maior fraqueza do movimento progressista atual, Davis disse que os grupos não estão organizados da forma que deveriam. Ela afirmou que as possibilidades existem, mas que faltam formas organizacionais para dar expressão a esses sentimentos políticos. A ativista também atribuiu parte do problema à ascensão dos bilionários e à concentração de riqueza em níveis nunca vistos na história.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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