O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do partido PL, comentou nesta sexta-feira sobre a decisão da Polícia Federal (PF) que determinou seu retorno ao cargo de escrivão, do qual ele havia se licenciado para ocupar o mandato parlamentar. Eduardo, que está nos Estados Unidos desde fevereiro deste ano, afirmou que não consegue voltar ao Brasil neste momento e que não irá renunciar ao cargo facilmente.
Eduardo destacou que lutará para manter seu cargo na PF, ressaltando que trabalhou duro para ser aprovado no concurso. Ele se manifestou após a publicação no Diário Oficial da União, que confirmou sua volta à Delegacia da Polícia Federal em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O ato foi assinado pelo substituto do diretor de gestão de pessoas.
O documento diz que a volta de Eduardo é “exclusivamente para fins declaratórios e de regularização da situação funcional” dele na PF. Caso ele não compareça, a PF pode tomar medidas administrativas e disciplinares.
Recentemente, a Mesa Diretora da Câmara cassou seu mandato de deputado por ele não ter comparecido a um número mínimo de sessões. Essa decisão, que ocorreu no dia 18 deste mês, fez com que Eduardo perdesse automaticamente o cargo por falta de comparecimento.
Eduardo também é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo. Segundo a Procuradoria-Geral da República, sua permanência nos Estados Unidos estaria relacionada a tentativas de pressionar e intimidar o STF, especialmente em relação a um julgamento que envolveu seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.
O ex-deputado não respondeu formalmente às acusações e a Defensoria Pública da União assumiu sua defesa, argumentando que suas declarações em busca de sanções contra autoridades brasileiras estavam dentro do exercício de seu mandato e deveriam ser protegidas pela imunidade parlamentar.
Em setembro, a PF iniciou um processo administrativo disciplinar contra Eduardo, investigando suas ações nos Estados Unidos que teriam contribuído para a aplicação de sanções ao Brasil. Esta representação foi apresentada pelo então deputado federal Guilherme Boulos, com o objetivo de demiti-lo de seu cargo na PF.
Nos últimos meses, Eduardo se envolveu em polêmicas ao criticar publicamente e ameaçar delegados da PF. Durante uma transmissão ao vivo, ele fez declarações ameaçadoras contra a corporação, logo após uma operação que investigava seu pai. Essas declarações foram vistas pela PF como uma tentativa de intimidação, e seu diretor-geral afirmou que tomaria providências legais adequadas.
Além disso, Eduardo já havia se envolvido em outros procedimentos disciplinares por declarações anteriores contra delegados. As complicações em sua relação com a PF e as ameaças feitas a autoridades políticas intensificaram a crise em que está inserido atualmente.