29/07/2026
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Farmácia de Alto Custo no DF: filas e falhas persistem

Farmácia de Alto Custo no DF: filas e falhas persistem

Pacientes que dependem da Farmácia de Alto Custo no Distrito Federal relatam filas de mais de seis horas, sistemas lentos e falta de estoque. Os problemas persistem mesmo após dois meses da criação da plataforma Farmácia Digital, um serviço online para solicitar e acompanhar pedidos de medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF). A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) orienta a população a fazer agendamento prévio para evitar esperas.

A advogada Beatriz de Seixas, de 29 anos, esperou mais de seis horas na unidade da Asa Sul para renovar o cadastro e retirar remédios para alergia e epilepsia. Ela afirma que a demora e a instabilidade no fornecimento são rotineiras. “Existem várias falhas de comunicação e o sistema não comporta, certamente por problemas com servidor”, disse. Beatriz aguardava a volta ao estoque do medicamento lamotrigina, que estava em falta.

O problema de Beatriz começou há mais de três meses, quando deu entrada na solicitação após ajuste de dosagem. “Desde o dia 13 de abril eu vim e fiz a renovação. Eles falam que o prazo é de 10 dias para fazerem a análise, mas desde então não houve avaliação”, conta. Ela também cita dificuldades no agendamento pelo site Agenda DF e no atendimento pelo WhatsApp, que não responde.

A gestora ambiental Graciela Montes Machado, de 46 anos, enfrentou atraso de quatro horas para o atendimento agendado. Ela busca o hormônio somatropina para o filho Enzo, que usa o medicamento desde os 4 anos. Graciela esperou três meses pelo agendamento e teve que refazer exames complexos, como ressonância. “No Sul levamos 7 dias e em São Luís conseguimos em 9 dias”, compara.

Graciela lamenta ver o filho crescer sem o remédio, comprometendo o tratamento na adolescência. “Ele está no pré-adolescente, que dá o boom do estirão. Ele teria que tomar a medicação para dobrar a altura”, afirma. Ela também alerta sobre o transporte de medicamentos que precisam de refrigeração: “A maioria das pessoas vem pegar medicamento que precisa de gelo, e com essa fila eu não sei como é que esse gelo fica”.

Alguns usuários relatam melhorias. O bombeiro civil Erasmo de Sousa Bento, de 49 anos, foi à farmácia buscar medicação para a filha, que tem diabetes insípido. Ele precisou se adaptar ao novo sistema de agendamento. “A parte de entregar o remédio em casa está funcionando, antes não funcionava”, avalia. Ele está otimista: “Acho que vai melhorar mais ainda”.

A vendedora Luziana Conceição da Silva Vitória, de 41 anos, aguardava atendimento para garantir a medicação de uso contínuo do filho, que tem epilepsia. Ela conseguiu agendar e foi chamada para receber o medicamento topiramato. “Agendei para essa sexta-feira e deu certo, estava dentro do meu horário”, relatou.

A SES-DF informou que o CEAF tem três unidades de dispensação, na Asa Sul, Ceilândia e Gama, que oferecem os mesmos medicamentos. A pasta afirma que, dos 302 medicamentos padronizados, 235 estão disponíveis. Trinta e seis itens estão em processo de aquisição, 24 não têm demanda ou estão descontinuados, e sete foram incorporados recentemente.

A orientação é que os usuários façam agendamento prévio pelo Agenda DF. A diretora de Assistência Farmacêutica, Tatiane Araújo Costa, disse que são disponibilizadas 800 vagas diárias para atendimento, sendo 570 para retirada de medicamentos e 230 para renovação de cadastro. As unidades funcionam de segunda a sexta, das 7h às 19h, e aos sábados, das 7h ao meio-dia.

A plataforma CEAF Digital já recebeu mais de 2.200 solicitações desde sua implementação. Para se cadastrar, o paciente deve reunir documentos e fazer o pedido pelo site ou pelo telefone 160, opção 3. Após a aprovação, o agendamento da primeira retirada é feito pela plataforma. Nos meses seguintes, o usuário pode agendar pelo Agenda DF ou ligar para receber o medicamento em casa.

Em junho, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou à SES-DF medidas para melhorar o atendimento nas farmácias. A promotoria apontou déficit de profissionais, longas filas e problemas estruturais nas unidades da Asa Sul e Ceilândia. A recomendação, feita no dia 15 de junho, deu prazo de 60 dias para a adoção de providências, como a implementação do sistema Sismedex e a recomposição do quadro de pessoal.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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