29/07/2026
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Hepatite A dispara em SP e já supera em 17,4% o total de 2025

Hepatite A dispara em SP e já supera em 17,4% o total de 2025

O estado de São Paulo registrou 1.953 casos de hepatite A entre janeiro e 11 de julho de 2026. O número representa um aumento de 54,6% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 1.263 ocorrências.

A parcial atual já supera em 17,4% o total acumulado de todo o ano de 2025, que fechou com 1.663 casos. As informações são do Núcleo de Informações Estratégicas (Nies) da Secretaria Estadual da Saúde, atualizadas no dia 20.

A curva de casos cresce em São Paulo há pelo menos quatro anos. Em 2022, foram registrados 294 casos; em 2023, 985; e em 2024, 1.176. Em 2026, as semanas epidemiológicas de 11 a 14, entre 15 de março e 11 de abril, tiveram as notificações mais altas.

Os homens concentram a maior parte das infecções, com 1.168 casos. Desses, 407 estão na faixa de 20 a 29 anos, 341 de 30 a 39 anos e 202 de 40 a 49 anos. As demais faixas etárias somam 271 casos.

Entre as mulheres, as faixas de 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos são maioria, com 213 e 209 casos, respectivamente. Meninas de 10 a 19 anos aparecem em terceiro lugar, com 118 ocorrências. Os outros grupos totalizam 188 registros.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, até abril de 2026 foram registrados dois óbitos por hepatite A no estado. Em 2025, houve 11 mortes pela doença; em 2024, quatro; em 2023, oito; e em 2022, um óbito.

A hepatite A é uma inflamação aguda do fígado causada pelo vírus A (HAV). A infecção é benigna e contagiosa. Cerca de 1% dos casos, ou menos, pode evoluir com gravidade de forma fulminante.

A transmissão ocorre por contato oral-fecal e está ligada a condições inadequadas de saneamento básico e higiene pessoal, além do consumo de água e alimentos contaminados. O infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que há uma forma mais recente de transmissão por via sexual, sobretudo entre homens que fazem sexo com homens, devido ao contato com material fecal rico no vírus.

A maioria dos casos é assintomática ou apresenta sintomas inespecíficos, como fadiga, mal-estar, febre, dores musculares, enjoo, vômito, dor abdominal, constipação ou diarreia. A urina pode escurecer e a pessoa pode apresentar icterícia, com pele e olhos amarelados. O tratamento é de suporte, com medicação sintomática e controle laboratorial.

Até maio de 2026, 67,25% das crianças no estado de São Paulo receberam a vacina contra a hepatite A. A meta é imunizar 95% da população. A vacina é aplicada em dose única aos 15 meses, podendo ser usada dos 12 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias. Para grupos especiais, o SUS fornece o imunizante em esquema de duas doses com intervalo mínimo de seis meses nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries).

Entre as indicações para grupos especiais estão pessoas que vivem com HIV/Aids, doenças do fígado, portadores crônicos dos vírus da hepatite B ou C, usuários de PrEP, imunodepressivos, pessoas com fibrose cística, coagulopatias, trissomias, transplantados e candidatos a transplante, doadores de órgãos, pessoas com hemoglobinopatias e asplenia anatômica ou funcional.

Como formas de prevenção, recomenda-se lavar as mãos, lavar alimentos consumidos crus com água tratada, cozinhar bem os alimentos, lavar utensílios, usar instalações sanitárias, adotar medidas rigorosas de higiene em creches e restaurantes, não tomar banho em locais com esgoto, evitar fossas próximas a poços e usar preservativos com higienização antes e após relações sexuais.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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