11/06/2026
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Rachas no DF disparam 29% e acendem alerta de segurança

Rachas no DF disparam 29% e acendem alerta de segurança

As vias públicas do Distrito Federal registraram um aumento de 28,95% nos flagrantes de rachas nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo dados do Detran-DF, foram 147 ocorrências entre janeiro e maio deste ano, contra 114 no ano passado. A média é de quase uma infração por dia.

Embora o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não use o termo “racha”, a prática é enquadrada nos artigos 173 e 174, que tratam de “disputar corrida” e “promover competição”. As ações conjuntas do Detran, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) e da Polícia Militar (PMDF) resultaram na autuação específica de 10 infratores por disputa direta de corrida entre janeiro e maio de 2026.

No mesmo período de 2025, o Detran contabilizou oito autuações dessa natureza, de um total de 18 registros ao longo de todo o ano. Os motoristas flagrados no artigo 173 recebem autuação gravíssima, com suspensão do direito de dirigir, recolhimento da habilitação, remoção do veículo e multa multiplicada por 10, que dobra em caso de reincidência em 12 meses. As mesmas penalidades se aplicam a quem promove ou participa de eventos e manobras perigosas sem autorização (artigo 174). Ao somar todas as infrações ligadas a corridas clandestinas, o DF teve 114 autuações entre janeiro e maio de 2025 (313 em todo o ano) e 147 nos primeiros cinco meses de 2026.

O racha também é crime pelo artigo 308 do CTB. As penas variam de seis meses a três anos de detenção para disputas sem feridos; de três a seis anos de reclusão em casos com lesão grave; e de cinco a 10 anos se houver morte.

O especialista em segurança pública Leonardo Sant’Anna avalia que a lei atual falha em seu papel pedagógico por permitir fiança e resposta em liberdade. “Quando há a percepção de falta de aplicação da lei pelo Estado, cria-se um reforço ambiental onde o infrator nota que a legislação é fragilizada e que não haverá consequências reais”, afirma. Para ele, a impunidade retroalimenta o comportamento do grupo. Sant’Anna considera precoce a discussão sobre endurecimento da pena com regime fechado e confisco de bens, defendendo uma reavaliação do tipo de pena ideal. “A análise deve incluir aspectos financeiros e processos mais efetivos de reeducação”, diz.

O alcance das redes sociais é apontado como o maior impulsionador do crime no DF. A exibição no Instagram e no TikTok converteu o racha em espetáculo digital. Sant’Anna propõe uma atualização na lei para que a divulgação de vídeos ou a aceitação de desafios na internet funcione como agravante direto na pena. O cenário mobiliza o Congresso Nacional, onde tramita o Projeto de Lei 7235/25, do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), que cria o Programa Nacional de Prevenção e Combate às Corridas Ilegais.

Em nota, o Detran-DF informou que a Diretoria de Policiamento e Fiscalização de Trânsito realiza ações rotineiras de patrulhamento e fiscalização em todo o DF. A Diretoria de Educação promove campanhas educativas para conscientizar os condutores sobre práticas seguras no trânsito, incluindo o respeito aos limites de velocidade.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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