24/01/2026
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Trump pressiona Lula em relação à situação de Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para participar de um novo “Conselho de Paz” voltado à situação na Faixa de Gaza. Esta proposta coloca Lula em uma situação delicada, pois ele precisa decidir entre aceitar o convite e modificar sua postura tradicional em defesa do multilateralismo ou recusar e potencialmente prejudicar as relações com os EUA, especialmente em um momento crucial da política internacional.

Desde que assumiu seu terceiro mandato, Lula tem buscado se firmar como mediador em conflitos globais. Ele costuma criticar as ações militares de Israel em Gaza e defende a criação de um Estado palestino. Ao mesmo tempo, Lula tenta aumentar a presença do Brasil nas discussões internacionais. Em 2024, ele foi declarado “persona non grata” em Israel após comparações entre as operações em Gaza e o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Especialistas comentam que o convite de Trump pode ser visto como uma armadilha diplomática. Ao convidar Lula, um líder que considera um adversário ideológico, Trump expõe o brasileiro a uma escolha difícil: se aceitar, corre o risco de se submeter a uma agenda que não controla; se recusar, poderá ser visto como desalinhado com Washington.

A proposta do convite também é simbólica, pois Trump estaria sugerindo que, apesar das críticas à sua diplomacia, ele está tentando construir um espaço de diálogo, envolvendo Lula em um conselho que inclui figuras importantes. Aceitar este convite, no entanto, pode não trazer a Lula a influência que ele deseja, uma vez que sua participação poderia se limitar a observar decisões tomadas por outros.

No dia 19 de setembro, Lula se reuniu com o chanceler Mauro Vieira no Palácio do Planalto para discutir o documento enviado pela Casa Branca e avaliar as possíveis consequências de sua adesão ao Conselho de Paz. Assessores afirmam que Lula ainda não tomou uma decisão e decidiu realizar uma análise completa da proposta. Estão sendo avaliados os objetivos do conselho, os países que participarão, suas posições em relação à guerra em Gaza e os possíveis impactos financeiros e políticos da participação.

Durante as negociações, Lula fez críticas a Trump, destacando como o presidente americano utiliza o Twitter para expressar suas opiniões. Trump, por sua vez, confirmou o convite e expressou sua expectativa de que Lula tenha um papel significativo no conselho.

O objetivo do conselho é discutir a governança, a reconstrução e o financiamento de Gaza. Documentos revelados indicam que os EUA desejam criar um novo espaço decisório, fora da Organização das Nações Unidas, o que gera críticas sobre a ausência de representantes palestinos e a centralização de poder nas mãos de Trump.

A proposta pode criar uma contradição na política externa de Lula, que tradicionalmente defende um sistema multilateral e a inclusão de todos os atores relevantes em discussões internacionais. Especialistas apontam que a aceitação do convite pode ser vista como um apoio a uma governança informal liderada por Washington, enquanto a recusa poderia sinalizar que o Brasil ainda valoriza um modelo institucional que já apresenta dificuldades em resolver conflitos.

O calendário eleitoral brasileiro também influencia a decisão de Lula. A análise sobre a proposta tende a ser moldada por considerações políticas e pela maneira como sua escolha pode ser recebida pelo eleitorado. Recusar o convite pode ser mais seguro politicamente, permitindo a Lula afirmar que questões globais devem ser tratadas por meio da ONU. Contudo, essa recusa pode ser interpretada como um afastamento das estratégias dos EUA, o que poderia gerar reações negativas.

Os analistas destacam que aceitar o convite pode gerar desgaste interno, especialmente entre grupos da esquerda e movimentos sociais que monitoram a política externa brasileira. A participação no conselho pode não garantir a influência desejada, uma vez que os objetivos e regras do grupo ainda não estão claros.

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