19/06/2026
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Delúbio Soares nega volta para resgate de imagem

Delúbio Soares nega volta para resgate de imagem

Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, 70, está de volta. Preso duas vezes pelos escândalos do mensalão e da Lava Jato, quer se candidatar a deputado federal em 2026 por Goiás, seu estado natal. Não será o único mensaleiro, como foram chamados os condenados pelo esquema denunciado em 2005, que retornará às urnas.

O ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal João Paulo Cunha também tentarão vagas na Câmara dos Deputados. “Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, disse ele nesta segunda-feira (15), em entrevista à reportagem.

Em duas horas de conversa por videochamada, Delúbio defendeu sua inocência. Com a bandeira do PT ao fundo, camisa polo vermelha, broche do partido e um chapéu-panamá, não chama o mensalão pelo nome como ficou conhecido, mas por “ação penal 470”, número do processo no STF (Supremo Tribunal Federal).

Para ele, a denúncia foi a porta de entrada para anos de perseguição política ao PT. Apontado como o operador do mensalão, sempre negou o pagamento de mesada a deputados aliados. Mas admitiu a existência de caixa dois em campanhas petistas e assumiu a responsabilidade pela prática. Foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, cumpriu pena por mais de dois anos (sendo um ano e meio em prisão domiciliar) e recebeu indulto em março de 2016.

Dois anos depois, foi condenado a seis anos de prisão pela Lava Jato sob acusação de ter obtido empréstimos fraudulentos. A prisão foi revogada em novembro de 2019, quando o STF decidiu que a pena só poderia ser cumprida depois que todos os recursos da ação fossem esgotados – decisão que também permitiu a soltura de Lula naquele ano. Em 2023, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a sentença por entender que a tramitação deveria ter ocorrido na Justiça Eleitoral e não na Justiça Comum.

Delúbio sustenta que não fez nada de errado, chama outros presos da Lava Jato de “colegas de infortúnio” e reduz muitas de suas agruras a situações “da política”, como quem diz, no jargão futebolístico, que aquilo “é do jogo”. Ele diz não guardar mágoas nem mesmo de sua expulsão do PT, partido que ajudou a fundar e do qual ficou longe entre 2005 e 2011.

Abraçado por Lula publicamente no início do mês, Delúbio recebeu menção de destaque durante encontro do PT em agosto de 2025. O ex-tesoureiro foi citado nominalmente pelo presidente em um discurso que pedia reparação pelos “erros que cometemos”.

Ele afirma que só havia se candidatado uma vez, em 1986. Sobre a volta agora, disse: “Tenho 40 anos na política nacional: 20 anos de sucesso e 20 anos com algumas dificuldades. (…) Passei os últimos 20 anos me defendendo de acusações falsas. (…) Não tem nada contra Delúbio Soares hoje.”

Delúbio disse que quer estar no Congresso para ajudar Lula a governar e aumentar a bancada progressista de Goiás. Citou pautas específicas como energia, transporte e educação. Defende a criação de um fundo soberano para sustentar a educação básica.

Sobre a negociação com o Congresso, afirmou que “no Congresso não tem nenhum bobo” e que os deputados votam com os interesses de quem os elegeu. Disse que não pensou em se filiar a outro partido após a expulsão porque é fundador do PT.

Questionado sobre a volta dele, de José Dirceu e de João Paulo Cunha, negou que seja uma forma de justiça: “Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT.” Afirmou que não se arrepende de ter assumido a responsabilidade pelo caixa dois e que não houve crime.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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