Um incêndio florestal na Patagônia argentina já devastou mais de 5.500 hectares, o que equivale a aproximadamente 7.700 campos de futebol. Esse fogo se alastrou rapidamente na cidade de Puerto Patriada, localizada a cerca de 1.700 quilômetros de Buenos Aires. A situação alarmante leva centenas de bombeiros e moradores voluntários a lutarem incansavelmente para controlar as chamas, que têm colocado pequenas comunidades da região em estado de alerta.
O incêndio acontece apenas um ano após os piores incêndios florestais da última década, intensificando a pressão sobre os sistemas de combate a incêndios, tanto oficiais quanto comunitários. De acordo com autoridades locais, as condições climáticas adversas, como altas temperaturas, fortes ventos e seca, estão contribuindo para a propagação rápida do fogo. O governador da província, Ignacio Torres, sublinhou que as próximas 48 horas são decisivas na tentativa de conter as chamas.
Como resultado do incêndio, aproximadamente 3.000 turistas e 15 famílias na área de Epuyén foram evacuados, e mais de 10 casas foram destruídas. As informações revelam que novas focos de incêndio surgem com frequência, desafiando as equipes de resgate. Flavia Broffoni, moradora de Epuyén, expressou seu desespero nas redes sociais, afirmando que a situação é extremamente crítica.
A operação de combate ao incêndio mobiliza cerca de 500 pessoas, incluindo bombeiros e equipes de resgate, além de suporte de forças de segurança. Para reforçar a luta contra as chamas, aeronaves e mais bombeiros devem chegar da província de Córdoba e do Chile. Segundo Hernán Ñanco, membro da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, a complexidade da situação é elevada e oferece novos desafios diante do clima e da vegetação da região.
Além dos desafios operacionais, os bombeiros enfrentam dificuldades financeiras, já que muitos precisam equilibrar múltiplos empregos devido aos baixos salários, que variam de 600 mil a 900 mil pesos argentinos, o que é insuficiente para cobrir os custos de vida na região. Esse panorama leva muitos profissionais a buscarem alternativas e forçar a dependência de brigadas comunitárias, que são formadas por moradores locais que se unem para proteger suas florestas e residências.
O incêndio não é isolado, afetando várias províncias patagônicas, como Neuquén, Santa Cruz e Río Negro. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, quase 32 mil hectares foram queimados, refletindo a gravidade e recorrência dos incêndios na região. As brigadas comunitárias estão lutando contra uma situação que os desafios têm tornado insustentáveis, mas ainda acolhem a ajuda de voluntários que se mostram dispostos a colaborar, especialmente em ações de conscientização e defesa.
As autoridades ressaltam a importância de doações e apoio àquelas brigadas, que continuam desempenhando um papel fundamental no combate aos incêndios, mesmo diante das limitações enfrentadas. O esforço conjunto entre os profissionais e a comunidade se mostra vital para enfrentar essa crise ambiental que ameaça a rica biodiversidade da Patagônia.