09/05/2026
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Procurador: prazo eleitoral é curto para combater crime organizado

Procurador: prazo eleitoral é curto para combater crime organizado

O procurador regional eleitoral de São Paulo, Paulo Taubemblatt, afirmou em evento nesta sexta-feira (8) que o Ministério Público está tomando medidas para combater a influência do crime organizado nas eleições. Ele ponderou, no entanto, que o processo eleitoral é muito curto para solucionar um problema dessa complexidade.

“O processo eleitoral se desenvolve em dois meses praticamente [considerando até o primeiro turno]. E não dá tempo resolver o problema do crime organizado em dois meses”, disse.

A declaração ocorreu na mesa de encerramento do 3º Congresso Paulista de Direito Eleitoral, realizado pela OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil seção de São Paulo). O evento contou com a presença do presidente do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), Encinas Manfré.

O debate teve como tema o combate ao crime organizado nas eleições deste ano. Foi mediado pelo advogado Ricardo Vita Porto, presidente da comissão de direito eleitoral da OAB-SP, e contou com a participação do procurador paulista Marcio Sergio Christino.

Taubemblatt afirmou que o crime é uma preocupação do Ministério Público Eleitoral em nível nacional. Ele disse que estão sendo constituídos grupos de trabalho e que uma das ações é mapear, junto a promotores eleitorais, o diagnóstico da situação pelo país. Citou ainda ter solicitado apoio à Polícia Federal para identificar financiamentos de campanha obscuros.

O desembargador Manfré afirmou que o TRE-SP está aplicando as diretrizes do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e que há duas frentes de atuação: “Impedir a infiltração de agentes do crime organizado nas instituições públicas e assegurar a liberdade do voto dos cidadãos”.

Ele disse que a Justiça Eleitoral pode atuar em diferentes fases, como no momento do registro de candidatura, quando são analisados os requisitos de elegibilidade, e no momento posterior, quando tramitam ações de abuso de poder.

Manfré apontou a jurisprudência inaugurada pelo TSE em processos das últimas eleições municipais relacionados a candidatos do Rio de Janeiro com indícios de envolvimento com o crime organizado. Destacou que a análise será caso a caso e que eventuais interferências da Justiça para negar registros ocorrerão apenas se houver provas.

A Justiça Eleitoral no Rio barrou candidatos na eleição municipal, mesmo sem condenação colegiada, para conter a infiltração de milícias e facções criminosas. Neste ano, integrantes do TSE planejam recorrer a precedentes recentes firmados pela corte.

No evento, o advogado Ricardo Vita Porto questionou se, com tais precedentes, não se correria o risco de indeferir candidatos com ficha limpa, ferindo o princípio do contraditório e da ampla defesa. Taubemblatt disse que o TSE, nos casos do Rio, fez uma leitura mais objetiva do que a da Justiça fluminense. Ele argumentou que o tribunal superior se baseou em um artigo que trata de organização criminosa armada, em vez de negar a candidatura com base na moralidade e na vida pregressa.

“O Poder Judiciário ele aplica regras. Então não estamos aqui para fazer lei, para fazer Justiça. Estamos aqui para dizer: ‘Aqui tem uma causa de inelegibilidade, aplicamos. Aqui não tem, não aplicamos'”, disse o procurador. “Essa decisão do TSE é pragmática, mas bem ou mal, ela se funda num conceito objetivo.”

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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