31/07/2026
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Defesa de Lulinha critica novo inquérito e fala em ‘pescaria probatória

Defesa de Lulinha critica novo inquérito e fala em 'pescaria probatória

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, questionou nesta quinta-feira (30) a abertura de um inquérito autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o advogado Guilherme Suguimori Santos, a medida pode ter interesse político por trás.

A investigação foi solicitada pela Polícia Federal na última sexta-feira (24). Os investigadores querem apurar possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização para comercialização de cannabis medicinal. O caso teria ligações com o Ministério da Saúde e o gabinete da Presidência.

Em nota, o advogado de Lulinha afirmou que “se queriam achar algo e não acharam, não podem criar uma nova teoria para começar tudo de novo, esticando essa história até as eleições”. Ele classificou a ação como “pescaria probatória”, que seria ilegal e mostraria o interesse político por trás da movimentação.

Lulinha atua no ramo de cannabis medicinal em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O pedido da PF também cita contatos entre os alvos e servidores, incluindo pessoas do gabinete de Lula. Uma das linhas de investigação aponta que Lulinha teria atuado com Roberta para beneficiar a empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS.

A defesa do filho do presidente disse que não pode comentar o mérito do inquérito, pois não teve acesso aos autos. “Não vi essa notícia nos autos, não vi documentos, não vi fundamentos”, declarou Suguimori Santos. Ele também questionou a competência do STF para analisar o caso.

O advogado afirmou ainda que uma nova investigação fora da Operação Sem Desconto mostraria que as autoridades falharam em encontrar ligações entre Fábio Luís e as fraudes do INSS. “Não seria surpresa, porque Fábio nunca teve relação nenhuma com esse escândalo”, disse.

Bruno Salles, advogado de Roberta Luchsinger, afirmou não ter informações sobre o novo inquérito. Ele disse que os fatos já são objeto de outras investigações e que não haveria motivo para abrir um novo procedimento. “Em todos os meus anos de carreira, essa seria a primeira vez que eu veria uma investigação em melhor de três”, declarou.

Salles também disse que não faz sentido reabrir uma investigação envolvendo o filho do presidente às vésperas de um processo eleitoral, “a não ser para poder explorar isso politicamente”. A defesa de Careca do INSS afirmou não ter conhecimento sobre o pedido.

Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Em depoimento à CPI do INSS, ele afirmou ser um empresário cuja prosperidade é “fruto de trabalho honesto e dedicado” e que não possui patrimônio de origem ilícita.

A PF quer autorização para compartilhar provas da Operação Sem Desconto, que investiga uma quadrilha de desvios no INSS. O pedido foi enviado ao STF durante o recesso do Judiciário. O caso foi analisado por Alexandre de Moraes, que pediu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão opinou que as quebras de sigilo revelaram crimes sem relação com a Operação Sem Desconto e pediu sorteio de novo relator. O sorteado foi André Mendonça.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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