07/08/2026
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Lula e Flávio disputam voto idoso, que é 23,5% do eleitorado

Lula e Flávio disputam voto idoso, que é 23,5% do eleitorado

Os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), devem acirrar a disputa pelo voto das pessoas com mais de 60 anos. Essa faixa do eleitorado cresce sem interrupção desde pelo menos 2010, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Neste ano, pessoas com 60 anos ou mais somam 23,5% dos aptos a votar. São 37,5 milhões de eleitores, de um total de 158,7 milhões, de acordo com a Justiça Eleitoral.

O segmento ganha importância por causa do provável cenário de eleição acirrada. Tanto o grupo de Lula quanto o de Flávio Bolsonaro avaliam que a disputa será decidida por poucos pontos percentuais. Pesquisa Nexus divulgada na segunda-feira (3) aponta empate técnico nas intenções de voto para o segundo turno. O presidente tem 46% e o senador, 45%, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Entre os mais velhos, Lula tem vantagem, conforme pesquisa Datafolha divulgada no último dia 24. Num eventual segundo turno, o petista alcança 55% entre quem tem mais de 60 anos, enquanto Flávio marca 37% (a margem de erro nesse grupo é de cinco pontos percentuais). O mesmo vale para os aposentados, em que o placar é de 60% a 35% (com seis pontos de margem de erro).

A forma de abordar o eleitorado idoso vem sendo discutida por aliados de Lula nas últimas semanas. O entorno do presidente avalia que esse grupo tem lembranças dos primeiros governos do petista e, 20 anos atrás, votou nele. Por isso, seria um grupo aberto a ouvi-lo. Auxiliares pretendem acionar a memória afetiva desses eleitores resgatando a campanha de 1989, com o jingle “Lula Lá”. Também querem evocar a lembrança daqueles que viveram a censura e a ditadura militar para mobilizar esses eleitores a favor de Lula.

A equipe do presidente, porém, faz uma ressalva: o eleitorado mais velho pode ter dificuldades de mobilidade ou estar desconectado do cenário político. Por isso, seria necessário oferecer motivações fortes para que as pessoas com 60 anos ou mais saiam de casa e votem no dia da eleição.

No domingo (2), durante a convenção nacional do PT, o presidente explicitou a intenção de buscar esse estrato da sociedade. “Quero pagar uma dívida com os idosos deste país”, disse o chefe do governo. “É importante que a gente saiba que nem sempre o filho que a mãe pariu cuida dela, quando ela está velha, da mesma forma que ela cuidou dele quando ele fazia xixi e fazia cocô nas fraldas”, declarou Lula. “Nós precisamos criar um programa para o idoso. Não para ele ficar trancado. Queremos que ele tenha um lugar onde possa nadar, dançar, ler, ver filmes, caminhar. Possa fazer o que quiser. Até namorar, se encontrar uma parceira”, afirmou o petista.

Na campanha de Flávio, a estratégia é utilizar o vice, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), como um aceno aos idosos e, sobretudo, aos aposentados. Gaspar foi o relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Como mostrou a Folha, a escolha de Gaspar para a chapa teve mais relação com sua atuação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na CPI. Auxiliares de Flávio querem trazer para o centro do debate as suspeitas contra o filho de Lula, alvo de investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de tráfico de influência.

Em paralelo, esses auxiliares afirmam que a atuação de Gaspar na CPI também será usada para associá-lo à defesa dos idosos e aposentados. Um dos integrantes da equipe de comunicação diz que o vice terá espaço nas redes e propagandas da campanha para divulgar seu papel no enfrentamento às fraudes no INSS. A CPI investigou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A apuração teve início na CGU (Controladoria-Geral da União), que apontou uma soma de R$ 6,3 bilhões em valores descontados entre 2019 e 2024.

A campanha de Flávio pretende apresentar Gaspar como um defensor dos idosos e alguém que desbaratou o roubo aos aposentados. O próprio presidenciável, ao anunciar seu vice nesta quarta-feira (5), disse que ele “enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPI do INSS”. “Talvez a coisa mais hedionda que pode ter acontecido nos últimos anos, nas últimas décadas, no nosso país foi um governo corrupto que não respeitou nem os aposentados, não poupou nem as aposentadorias. As senhorinhas, os senhorzinhos contam ali os reais no fim do mês”, afirmou Flávio.

Inicialmente, o candidato do PL buscava uma vice mulher para melhorar sua imagem nesse segmento, em que sua rejeição supera a de Lula. No eleitorado feminino, o bolsonarista marca 40% ante 50% do petista em um eventual segundo turno, de acordo com a última pesquisa Datafolha. Aliados de Flávio admitem que a escolha por Gaspar frustrou esse gesto às mulheres, mas afirmam que ele pode ajudar a compensar a votação no grupo de idosos e aposentados.

A atuação de Gaspar na CPI, porém, foi controversa. Como relator, ele vinculou as fraudes ao governo Lula, enquanto praticamente ignorou a cúpula da gestão Jair Bolsonaro (PL). Governistas o acusaram de poupar a gestão bolsonarista, quando o escândalo teria começado, e perseguir pessoas ligadas ao petismo, mas Gaspar disse realizar um trabalho técnico. O relatório final de Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Lulinha. O parecer foi rejeitado pela base do governo por 19 votos a 12, e a CPI terminou sem um documento final.

Sobre o autor: contato@sejanoticia.com

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